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Resenha | Minha mãe é uma peça

31 de Maio de 2017

Dona Hermínia é o tipo de mãe que todo mundo conhece, tem ou vai ser! É impossível não se identificar ou mesmo seguir o exemplo dessa mãe divorciada experiente, dona de si mesma e que sabe educar seus filhos.
Não acredita?
No livro Minha mãe é uma peça, a dona de casa (e mãe, é sempre bom relembrar, rs) não vai contar historinha, não. É sua vida mesmo, no dia a dia, com suas conversas com a filha Marcelina, seu filho Juliano, com o ex-marido Carlos Alberto e sua ajudante no trabalho de casa Valdeia.
E pra provar que não tô mentindo, o livro tem pedaço de jornal, e-mail, foto, bilhete e tudo o mais. Porque sua vida dá um livro, sim. E ilustrado, com muito mais do que só letrinhas.

Minha mãe é uma peça
Autora: Dona Hermínia (Paulo Gustavo)
Ano: 2015
Páginas: 152
Editora: Objetiva
Amazon Fnac Livraria Cultura Saraiva
Essas crianças ainda matam Dona Hermínia de tanta preocupação. Marcelina, que está “imensa de gorda”, e Juliano, que em vez de trabalhar prefere decorar as coreografias daquela “cantora negona linda, a Cebion”, não são os únicos que escutam poucas e boas. Sobra bronca também para o ex-marido, Carlos Alberto, para a nova mulher dele, “a vaca da Soraia”, e para a empregada Valdeia, “que prefere ser chamada de secretária, mas ainda não chegou lá”.
Em sua estreia na literatura, Dona Hermínia – ou melhor, Paulo Gustavo, seu criador – fala sobre sexo, dietas e religião, dá conselhos de como criar os filhos, explica a antipatia que tem por Freud e sua “mania de colocar tudo que é culpa na mãe”, mostra como navegar na internet e faz seu guia de viagens. E, ao contrário dos manuais que ensinam como segurar o marido, conta os segredos para não perder o ex.
Paulo Gustavo ficou famoso com o monólogo Minha mãe é uma peça, em cartaz desde 2006. Em 2013, o espetáculo virou filme, que teve o maior público do cinema nacional no ano, com 4,6 milhões de espectadores. Agora, a dona de casa divertida e mandona que arranca gargalhadas surge neste livro em fotos, ilustrações e textos inéditos escritos com a colaboração de Ulisses Mattos e Fil Braz.

Créditos: Objetiva

Antes de começar a resenha propriamente dita eu gostaria de compartilhar os motivos de eu ler esse livro. Claro que 1) a dona Hermínia é mãe e 2) ela não papas na língua e fala o que pensa (e o que não pensa também) sendo muitas vezes tão engraçada que a gente compartilha.
Eu tive a oportunidade de assistir ao filme antes de ler o livro porque essa foi a ordem que as coisas surgiram. Na época em que assisti ao filme eu ri, achei bacana mas eu não tive ideia de quão sério ele era também. Só fui saber (advinhe?) quando eu me tornei mãe.

E é verdade que eu ainda sou mãe de bebê e os filhos da Dona Hermínia são adolescentes mas, nós mães, sabemos que filho é filho, a preocupação e os cuidados sempre vão existir, cutucar e persistir. O que muda mesmo é o tipo de cuidado, o tipo de preocupação mas eles existem eternamente!

Em 2015 a editora Objetiva (hoje, selo da Companhia das Letras) lançou o livro da própria dona Hermínia e aqui ela faz um levantamento geral de alguns assuntos pertinentes ao mundo materno e maternidade solo bem como a vida de dona do lar. Tudo isso junto e misturado.
Incrível.
Mesmo que você não seja uma coisa, vai ser a outra. Em algum momento da tua vida você se viu ou se virá em alguma fala da d. Hermínia.
Quer ver?

Minha mãe é uma peça Paulo Gustavo

Você pode chamar esse livro de guia, manual, autoajuda, não importa, o que vale mesmo é se apegar às dicas que ela nos dá sobre diferentes áreas da vida, como por exemplo “Guia de dona Hermínia sobre como criar os filhos” ou “Vamos falar de sexo” e quem sabe “Intimidade com Deus”. A mulher pode não ser totalmente instruída mas é vivida, experiente e a gente precisa de conselhos de quem realmente sabe.

Dona Hermínia sincerona

Eu adorei “Guia de dona Hermínia sobre como criar os filhos”, porque nesse capítulo ela deixa claro que nenhuma babá famosinha de TV pode ensinar como é que se cria um filho. Só quem é mãe sabe. E pra criar um filho tem que saber dar limite. E para dar limite, tem que saber dizer “não”. Ela diz “não” com a maior tranquilidade.
Sabe qual foi a primeira palavra que Juliano aprendeu a falar? Exatamente: foi “não”! Porque a ouvia falar muito, óbvio que ia ser a primeira coisa que ele ia dizer. E a primeira palavra da Marcelina? É, não foi “não”. Foi “papá”.

Outro ensinamento valiosíssimo que a gente aprende é que devemos fazer algumas coisas escondidas das crianças, pra não instruir errado desde cedo. Vai comprar negócio falsificado, porque é que o dinheiro tá dando pra comprar? Nunca na frente das crianças. Vai mandar a síndica à merda, porque ela tá enchendo o saco de todo mundo? Nunca na frente das crianças. Vai baixar música ou vídeo na Internet? Aí tem que ser na frente das crianças mesmo, porque elas é que vão te ajudar nisso. Senão você não consegue.

Minha mãe é uma peça Paulo Gustavo

Você sabia que todo mundo tem preconceito, até mesmo você? Dona Hermínia, além de explicar como isso funciona, também se dá como exemplo quando relata que logo que se separou de Carlos Alberto, sofreu o primeiro preconceito. Porque as pessoas a olhavam torto na rua. Achavam que ela era puta. Mas não era. Pelo contrário, porque depois que se separou ela não vi mais homem. Puta, só se fosse puta da vida com Carlos Alberto.

E não é exatamente esse tipo de preconceito que muitas de nós sofremos? Por sermos mães solo? E nessas horas eu digo que é muito bom alguém vivida compartilhar suas experiências conosco. Todo mundo diz que não tem preconceito. Mas todo mundo tem. Não adianta dizer que não tem porque tem, sim. Pode até não querer ter, que já é um grande ganho, mas tem.
E todo mundo sofre preconceito de alguma forma em algum momento da vida.

Minha mãe é uma peça Paulo Gustavo

Vamos falar de sexo? Dona Hermínia não tem vergonha ou papas na língua pra falar sobre o assunto mas ela confessa que no seu tempo os termos e os relacionamentos eram outros.
Hoje em dia as pessoas fazem sexo como trocam de roupa. E na sua época não fazia sexo. Ela fazia amor, que é uma coisa completamente diferente do que se faz hoje. Naquela época não se falava transar. Isso é um termo atual. Ela se guardou pra noite de núpcias. Só mais tarde que ela viu que se tivesse feito o tal sexo seria muito melhor, né? Porque o amor mesmo já tinha acabado há muito tempo.

Sobre relacionamento gay ela também tem experiência porque seu filho Juliano é um. Mãe de gay fica preocupada por causa dos preconceitos que o filho vai sofrer fora de casa. Mas a sua preocupação com Juliano é dupla, porque tem a coisa das pessoas preconceituosas e isso de dois homens se casarem. O problema desse casamento não é a coisa do sexo, não. O problema é dos dois homens organizando casa. O gay tem que entender que alguma hora a mulher vai ter que entrar aí. Porque eles sozinhos não vão se entender. Vão ter que entubar uma mulher zanzando dentro de casa. Não vão fazer nada com ela, mas vai ter que estar presente ali. Isso se essa mulher tiver coragem de faxinar a casa deles. Porque é uma residência que vai oferecer risco de faxineira ser sugada pela sujeira.
Só li verdades.

Minha mãe é uma peça Paulo Gustavo

E sobre a Internet, é claro que ela também tem uma opinião afinal de contas todo mundo tem acesso à ela. E, em sua opinião, não foi Deus que fez isso, não, foi o capeta. Uma coisa que era pra dar conhecimento pro mundo, que ela queria usar pra conhecer o mundo, visitar um museu virtualmente, se inteirar de um assunto.. Mas acaba que a gente é tomada por um espírito ruim e vai clicando de link em link. E quando vê já tá dentro do “Feice: discutindo com alguém. E tem rede social pra tudo que é tipo de gente. Tem um que a gente fala sozinho, que nem maluco, o tal do Twitter. Tem também a rede pra gente que não quer escrever, só quer mostrar foto, o tal do Instagram. Aí que você vê que tem gente que não tem o que falar e nem tem o que fotografar, fica só fazendo foto de comida antes de comer. Mas dona Hermínia acha que tinha que fazer diferente. Tinha que fazer a foto depois que come, mostrando o prato vazio. Isso ia ser muito útil pras mães saberem se os filhos estão se alimentando bem. Quer dizer, é mais uma tecnologia que o ser humano não tá sabendo usar.

Minha mãe é uma peça Paulo Gustavo

Eu posso dizer que me diverti horrores com as 152 páginas cheias de desabafos, conselhos, sugestões, críticas e elogios que dona Hermínia faz sobre… sobre a vida, oras! Porque não são esses (e outros tantos) assuntos pertinentes à vida? Que nos rodeiam e nos faz ser quem somos?
Essa é a genialidade do livro!
Em poucas páginas temos um apanhado geral (e muito bem escrito) dos pensamentos dessa mulher sincerona! Quem não gosta de sinceridade? Somente os filhos, o ex-marido e a Valdete, a ajudande da casa. Fora esses, todos nós adoramos! Outro ponto positivo é que dona Hermínia pensou muito bem na quantidade de páginas porque a leitura precisa ser rápida mesmo, caso contrário as mães e donas de casa não teriam tempo pra desfrutar de cada uma delas!

Narrado em primeira pessoa e com a linguagem prática dos dias atuais, dona Hermínia solta o verbo pra facilitar o entendimento pra todo mundo saber o que ela pensa!
E fica a dica pra você que precisa tomar a iniciativa de soltar o verbo também mas não sabe como ou tem receio de estragar relacionamentos.
Dá esse livro de presente que fica tudo resolvido, viu!

Paulo Gustavo

O ator e comediante Paulo Gustavo nasceu em Niterói, em 1978, e atingiu fama nacional com o monólogo Minha mãe é uma peça, em cartaz desde 2006. Pelo papel, foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator. Em 2013, o espetáculo virou filme e teve o maior público do cinema nacional no ano, com 4,6 milhões de espectadores. No teatro, também é autor de Hiperativo, 220 volts, entre outros.

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2 Comentários

  • Responder Anny 31 de Maio de 2017 at 16:23

    Acredite Jhe eu nem vi o filme rsrsrs, sério todo mundo fala super bem mas eu não tive aquela curiosidade ainda sabe.

  • Responder Daniele 31 de Maio de 2017 at 09:57

    Eu gosto muito do filme, é bem legal… o 1 e o 2 … me acabo de rir com a Dona Hermínia kkkkkkkkk e quando ela tá estressada, gente, parece com minha mãe, de verdade, o jeito de falar é idêntico… Mainha nem gosta quando falo isso… mas, é a verdade. Acredita que mesmo gostando muito do filme, eu não sabia que tinha o livro “Minha mãe é uma peça”. Eu gosto mais de livro que de filmes, filmes ele sempre resumem muito e o livro é bem mais detalhado.. O livro já vai para minha lista. Detalhe, eu me acabei de ri aqui só vendo a imagem da Dona Hermínia passando batom.

    Dezesseis

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