Resenha | Deixei você ir :: Clare Mackintosh | Mãegnífica
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Resenha | Deixei você ir :: Clare Mackintosh

2 de agosto de 2017

Como eu amo um bom suspense! Acredito que, pra você que me acompanha há tempos já saiba disso mas se você está entrando pela primeira vez aqui no blog então precisa saber que eu amo um bom suspense.
O caso é que Deixei você ir, de Clare Mackintosh, não é apenas um bom suspense mas talvez um dos melhores que eu tenha lido até agora. Entrou no hall dos favoritos que precisa estar na estante de todos amantes de suspense policial/psicológico.
Mas devo estar me adiantando, por isso te convido a continuar a leitura dessa resenha porque tenho certeza que você não vai se arrepender!

Resenha Agora e para sempre Lara Jean

Deixei você ir (I Let You Go)
Autora: Clare Mackintosh
Ano: 2017
Páginas: 368
Editora: Intrínseca
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Quando Jacob morre atropelado em uma rua de Bristol, Inglaterra, depois de ter soltado a mão da mãe em um dia chuvoso, o motorista do carro que o atinge acelera a foge. Desvendar sua morte vira um caso para o detetive Ray Stevens e seus colegas, Kate e Stumpy. Determinado a encontrar o assassino, Ray se vê consumido a ponto de colocar tanto a vida profissional quanto a pessoal em jogo.
Jenna, assombrada pela morte do menino, abandona tudo e se muda para uma pequena cidade costeira do País de Gales. Ela passa os dias em seu chalé tentando esquecer as lembranças do terrível acidente e aos poucos começa a ter algo parecido com uma vida normal e vislumbrar a felicidade em seu futuro. Mas o passado vai alcançá-la, e as consequências serão devastadoras.
De vários pontos de vista, a ex-detetive Mackintosh faz um retrato preciso de uma investigação policial. Com sua excelente habilidade de escrita, consegue criar personagens memoráveis e uma análise arrebatadora das excentricidades da vida em uma cidade pequena. Mas o verdadeiro talento da autora é a maneira como ela incorpora reviravoltas em uma trama já complexa. Mesclando suspense, investigação policial e thriller psicológico, Clare Mackintosh disseca a mente de seus personagens enquanto tece inesperadas conexões entre eles.

Créditos: Intrínseca

Às 16h28 de segunda-feira chuvosa, 26 de novembro, uma criança é atropelada em Fishponds sob os braços de sua mãe. O pequeno Jacob acabara de completar cinco anos, uma tragédia que uma mãe jamais imaginaria possível. Oras, eles estavam voltando a pé para casa, comentando sobre o dia de cada um quando ela soltou a mão do filho e ele atravessou a rua correndo na direção de casa. O filho já havia feito isso antes; ele não prestava muita atenção no trânsito e ela sempre fazia questão de segurá-lo pela mão na hora de atravessar uma rua. E justamente dessa vez, um deslize. A mulher jamais se perdoaria.

Ao prestar depoimento ao Departamento de Investigação Criminal de Bristol, a equipe de Stumpy tem dificuldades para dar o primeiro passo à procura do culpado. A mãe da criança não viu quem dirigia, se havia passageiro ou qualquer testemunha à espreita, observando o ocorrido para anotar a placa, ver a cor ou marca do carro e, talvez, testemunhar para uma mãe atordoada.
Nada estava a favor do caso do pequeno Jacob.
Mas nem para o detetive Ray ou para sua colega de trabalho, Kate, era um caso perdido. Fizeram todo o possível para localizarem o culpado mas os ventos da justiça não sopravam a favor.

Resenha Deixei Você Ir

Jenna Gray não consegue sentir outra coisa senão culpa. É claro que a culpa foi dela. Se eles tivessem voltado para casa por um caminho diferente; ela não deveria ter conversado; devia tê-lo feito parar…
É possível simplesmente abandonar uma vida e começar outra? Jenna não sabe a não ser se tentar e sua única chance de sair inteira dessa situação é recomeçar, em outro lugar.

Ao partir para o País de Gales Jenna desperta o início de uma outra vida. É muito bom saber que não há quem a conheça ali, tão longe do seu passado. Sem dúvidas é o lugar perfeito para um recomeço.
Em Blaen Cedi, um chalé pouco mais que uma cabana de pastor, torna-se o porto seguro de Jenna, a vida que ela não pediu mas que foi importante aceitar.
Ali ela descobre outras habilidades, um companheiro de quatro patas e, talvez, um novo amor.
Seria possível apagar tudo e começar ali, em Port Ellis?

Um ano se passa após o acidente e ainda não há testemunhas, nenhum avanço significativo nas investigações mas fazer uma apelação na TV, depois de um ano, parecia uma boa ideia. Era algo que se fazia de tempos em tempos com inquéritos não concluídos, mesmo que fosse apenas para tranquilizar as famílias e mostrar que a polícia não havia desistido por completo, ainda que o caso não estivesse mais sendo investigado de forma ativa. Valia a pena tentar.
E então surge resposta ao apelo no caso do atropelamento de Jacob. Uma testemunha.

Resenha Deixei Você Ir

SEGURA ESSE FORNINHO, colega, porque você está diante de um dos melhores livros de suspense policial que eu já li! É simplesmente assustador o fato de eu quase ter desistido da leitura nos primeiros capítulos de “Deixei você ir”.
Minha experiência foi tão surreal que não me surpreende eu ficar tão eufórica com os sentimentos que esse livro despertou.

O primeiro contato não foi legal, é verdade. Eu comecei a leitura talvez com outro humor literário – quem sabe desejando um romance, um chick-lit ou até mesmo outro livro que me despertasse o ânimo – e depois do terceiro capítulo fiquei receosa de entrar em um desânimo literário.
Sabe, quando você começa uma leitura e ela é meio brochante e você só quer fechá-lo mas também não sente vontade de ler qualquer outro? Esse é o desânimo literário.
Acontece direto comigo.

Dessa vez decidi não insistir. Fechei o livro e me dediquei à outra leitura. Terminei e voltei ao livro, determinada a prestar mais atenção, a me dedicar mais, tudo que ajudasse a gostar da trama, afinal de contas eu sou amante do suspense.
Com o passar das páginas fui pegando o jeito.

Resenha Deixei Você Ir

As artimanhas da narrativa foram bem vindas: a autora usou tanto a primeira quanto a terceira pessoa e essa “tática” me ajudou a distinguir quem era quem.
Os capítulos de Jenna são narrados em primeira pessoa, como um diário, e o modelo caiu feito luva para transcrever os sentimentos de uma mulher aprisionada por tanta dor e ressentimento.
Já os capítulos de terceira pessoa são do detetive Ray e, não apenas à busca pelo culpado, mas toda a sua vida corriqueira, familiar.
Os capítulos alternam entre Ray e Jenna, em ritmo temporal, até chegarem a um clímax.
E esse clímax foi exatamente o que me fez mudar drasticamente de opinião.

Enquanto somos apresentados à situação, personagens envolvidos – que não são muitos, o que agradeço porque tenho memória fraca para lembrar de tantos nomes – eu pensava “mas como é que a autora vai sair desse círculo chato e vicioso? Porque enquanto o detetive Ray tentava encontrar pistas, novidades sobre o caso e não tinha êxito, a gente não saía muito do lugar e aí eu tentava focar nos capítulos da Jenna, que também não ofereciam tantas novidades e reviravoltas instigantes.
E agora, Clare?
Eis que, chegando ao final da parte I, o livro sofre uma reviravolta tão perfeita que eu fiquei chocada!

Resenha Deixei Você Ir

Essa é o tipo de história que vai fazer todo mundo ficar de queixo caído porque a autora faz isso propositalmente. Eu achei, em determinado momento, que eu era meio “lenta” e não tinha acompanhado o raciocínio da autora, mas não, ela teve a intenção de causar esse reboliço e nos fazer olhar para a parte II com mais atenção e interesse.
Vislumbre.
Falando em parte II, pra mim foi a melhor parte porque além dessa reviravolta escandalosa, somos apresentados à novas situações, um novo personagem e e novos temas são discutidos. Temas tão importantes e bem delineados que eu me senti presa, psicologicamente, o tempo inteiro. Abuso doméstico, sexual, de poder, bullying e traição são alguns desses temas que mexeram com meus nervos.
Deixei você ir não é apenas um suspense policial mas também psicológico.

Se essa resenha também for um conselho então ela te diria para não desistir do livro antes de ter tentado. Acho que se eu não tivesse dado uma segunda chance para Deixei você ir, eu teria – literalmente – deixado uma história incrível para trás.
Ainda não encontrei um(a) leitor(a) que já tenha lido esse livro para que eu possa expressar todos os sentimentos que ele me trouxe. São tantas surpresas e indignações, preciso conversar com alguém que já leu!
Pera aí.
Você é uma dessas pessoas?
Então se manifeste aqui nos comentários porque preciso conversar sobre Deixei você ir. Simplesmente preciso senão vou morrer com tanta euforia entalada!

Clare Mackintosh

Clare Mackintosh trabalhou doze anos na polícia, incluindo um período no Departamento de Investigação Criminal. Em 2011, abandonou a polícia para ser jornalista freelancer, escrevendo para publicações como o jornal The Guardian. Criadora do festival literário de Chipping Norton, atualmente ela se dedica em tempo integral à carreira de escritora e vive em Cotswolds, na Inglaterra, com o marido e seus três filhos. Deixei você ir é seu livro de estreia.

Resenha | Agora e para sempre, Lara Jean :: Jenny Han
 

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