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O que você sabe sobre revenge porn?

19 de março de 2016
revengeporn

Tente imaginar algo assim: seu ex-namorado espalha suas fotos nua na Internet. Desesperada, você tenta fazer com que as imagens sumam da rede e, ao mesmo tempo, tem que se defender da multidão de pessoas que a julgam. Será que você consegue sair dessa?

Certa vez, entre beijos e promessas de amor, meu namorado pediu que eu tirasse algumas fotos nua para que ele guardasse a sete chaves. Na época a sociedade não estava tão imersa no poder da Internet então a gente não tinha tantos recursos para viralizar alguma coisa tão rápido. Por mais que ele me pedisse com carinho e fazendo juras de que ninguém, nunca veria as fotos, eu recusei. É claro que eu tive que recusar. Algo tão íntimo poderia ser usado contra minha pessoa em algum momento. Hoje, diante dessa facilidade assustadora de você propagar qualquer coisa via Internet, o que teria sido de mim?

A pornografia de vingança (em inglês, revenge porn) é uma expressão que remete ao ato de expor na internet fotos e/ou vídeos íntimos de terceiros sem o consentimento dos mesmos, geralmente contendo cenas de sexo explícito que mesmo quando gravadas de forma consentida, não tinham a intenção de divulgá-las publicamente.”
– Wikipédia

Atualmente, uma série de fatores têm impulsionado o aumento da incidência de pornografia de vingança. Isso inclui a ampla disponibilidade para criar conteúdo através de dispositivos como smartphones e a capacidade de distribuir este conteúdo através da Internet e outros canais de comunicação. Fala pra mim quem é que não consegue criar um conteúdo e liberá-lo no mundo todo através da Internet em apenas um clique? Até o Lucca tem conseguido fazer isso, é espantoso!

De acordo com a SaferNet, o número de vítimas de fotos ou vídeos íntimos divulgados sem consentimento quadruplicou no Brasil em dois anos. E sabe o que me deixa mais indignada? É concluir, diante de tantos gráficos, que as mulheres são as que mais sofrem com o vazamento das fotos, pagando um preço muito alto ao enviar as famosas “nudes” (representam 81% dos casos em pesquisas feitas). As consequências para homens e mulheres perante o problema são bastante distintas (o que não é novidade, né mulheres?).

“As mulheres sofrem mais violência no mundo virtual porque sofrem mais no mundo real. O mundo virtual reflete, sobretudo, a desigualdade de gêneros e está mostrando o que vivemos em termos coletivos, de uma violência moralizante”

– Marissa Sanabria, conselheira da Comissão de Mulheres e Questões de Gênero do Conselho Regional de Psicologia

Pensando em todas as vítimas de vingança pornô, a autora Robin York lança dois livros pela editora Arqueiro como um apelo para que esse tipo de ação se torne um crime previsto por lei. No Brasil, já temos a Lei Carolina Dieckmann que foi criada depois que o caso da atriz ganhou proporção por aqui. Além disso, o Romário também tem um projeto de lei para regulamentar esse tipo de crime.
Os livros Profundo e Intenso serão lançados ainda este mês pela editora.

Profundo (Carolina e West #1)

Caroline Piasecki vê sua vida se transformar em um pesadelo quando o ex-namorado espalha fotos dela nua na internet. De uma hora para outra, sua reputação é arruinada e o futuro promissor que a aguardaria após a faculdade já não parece tão garantido. Desesperada, ela tenta fazer com que as imagens sumam da rede e, ao mesmo tempo, procura se defender da multidão de pessoas que a julgam.
Um dia, quando um cara que ela mal conhece sai em sua defesa e dá uma surra em seu ex-namorado, tudo muda. À primeira vista, West Leavitt é a última pessoa de quem Caroline deveria se aproximar – ele tem um ar sombrio e ganha a vida de forma ilícita. Ela, por sua vez, é o tipo de garota que West sempre tentou evitar. Rica e privilegiada, jamais entenderia as dificuldades pelas quais ele já passou.
Mesmo com todas as diferenças, os dois se tornam amigos. Com Caroline, West sente que fará de tudo para ser um homem melhor, e ela encontra nele a força para reagir. Quando parece impossível resistir à paixão avassaladora, West e Caroline descobrem que às vezes a única opção que resta é ir mais fundo.

Créditos: Skoob

Como evitar casos de revenge porn

  • Lembre-se que fotos íntimas ou nudes não devem ser vistas como prova de amor. Esse tipo de cobrança só mostra o que o(a) companheiro(a) quer de você;
  • Se você optou por mandar suas fotos íntimas – seja para companheiro(a) ou outra pessoa de seu interesse – não envie por mensagens e se possível apague imediatamente;
  • Não tire fotos ou grave vídeos que mostre o seu rosto ou partes do corpo que te identifiquem (tatuagens, cicatrizes, manchas no corpo, etc);
  • Tenha sempre a posse desses arquivos com você. Não faça cópias, pelo amor!
  • Não deixe esses arquivos em dispositivos móveis e mantenha o computador sempre com uma senha de acesso somente sua, além da criptografia;
  • Sabe aquela maravilha de nuvem? Esqueça! Não deixe nada arquivado nas nuvens (Dropbox, iCloud, Skydrive, etc);
  • Apague sempre os arquivos e use os mecanismos para evitar que haja a recuperação deles.

Fui vítima de revenge porn, e agora?

  • Procure pessoas de sua confiança (família, amigos, etc.) para contar o ocorrido e buscar ajuda o mais rápido possível. Lembre-se que as chantagens podem acontecer mas você precisa manter a calma e notificar as autoridades competentes;
  • Se as suas fotos e/ou vídeos foram compartilhadas nas redes sociais, guarde todas as informações encontradas na Internet ou em smarphones, como nomes de perfis que as divulgaram (guarde os links correspondentes aos perfis, fotos e/ou vídeos compartilhados) ou comunicadores instantâneos (neste caso, também o número do telefone);
  • Registre uma ocorrência policial, levando todas as informações já impressas e, caso surjam novos dados, encaminhe-os à polícia. Em alguns Estados, existem delegacias especializadas em crimes cibernéticos, mas você pode fazer a denúncia em qualquer delegacia. Tire “prints” das imagens e registre-as em um cartório de sua cidade, assim a validade do documento não poderá contestada em um futuro processo judicial;
  • Procure um advogado, que lhe orientará em relação à busca de reparação de danos.

Diante de tantos crimes e até mesmo assédios eu me pergunto se há jeito para mudar a situação. Claro que há, desde que a gente não se cale. É difícil imaginar um mundo em que poderemos ser livres sem sermos julgados e condenados com tanta falta de respeito pelo próximo. Mas é por aí que estamos caminhando e não podemos nos deixar enjaular. Temos nossos desejos e escolhas e precisamos ser respeitados. Vingança pornô é crime e você tem os seus direitos de permanecer seguro.
Não se intimide.

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