Eu não aguento mais amamentar! | Desromantize a amamentação | Mãegnífica
Pensando Alto Só Li Verdades

Eu não aguento mais amamentar! | Desromantize a amamentação

1 de agosto de 2017

No dia mundial da amamentação eu decidi compartilhar com você minha experiência sobre ela – a amamentação – ou melhor, sobre não aguentar mais amamentar.
Ironia do destino, enquanto escrevo este post continuo amamentando o Lucca porque ele acordou chorando e, às vezes, o mamá é o que conforta.

Durante a gestação, o puerpério e a vida inteira do seu filho você vai ouvir, ler, assistir e ser recomendada a sempre optar pela amamentação.
Foi o que eu fiz.

A amamentação sempre será a melhor opção que você poderá escolher para o seu bebê. Os pediatras afirmam que esse ato fortalece a relação entre mãe e filho e traz grandes benefícios à saúde de ambos.
Por exemplo?
Você (a mãe) volta ao peso de antes da gravidez mais rapidamente e a criança controla o peso.A qualidade do leite também é levado em conta já que o leite natural é específico, com todas as vantagens possíveis, como a passagem de anticorpos à criança.
Você, sem sombra de dúvidas, já deve conhecer pelo menos metade das vantagens da amamentação e com certeza tem grandes planos para escolher esse – e apenas esse – metódo de alimentação enquanto for possível.

Quando eu descobri a gravidez, e fui descobrindo as características da maternidade junto com o obstetra, jamais imaginei que fosse amamentar por mais de seis meses. Justo eu, tão mirradinha, com uma alimentação fraca e sem indícios de produzir leite por tanto tempo. Fiz todos os exercícios para a produção de leite, para os bicos dos seios mas estava sem esperança de que fossem funcionar por muito tempo.
Até mamadeiras comprei antes mesmo do Lucca nascer só por precaução do leite materno falhar na hora H.
E quando ele nasceu, meu Deus, fiquei tão surpresa e maravilhada de como ele foi justamente para o seio, com vontade e fome para ser amamentado que eu nem pensei no futuro, se eu deveria controlar as mamadas, se eu deveria tirar quando fosse voltar ao mercado de trabalho, se haveria algum prejuízo escolhendo a amamentação (claro que não haveria, nunca discorreram sobre alguma desvantagem do leite materno), eu apenas curti o momento e, sucessivamente, os momentos.

Eu não aguento mais amamentar

Orientada pelo pediatra estava disposta a amamentar até quando possível. Estipulei uma idade que achava ser o suficiente mas estava decidida a dar o mamá nas horas que ele pedisse, sem regular ou parar antes do tempo previsto.
Durante o primeiro ano foi tudo muito lindo, o Lucca nunca rejeitou o mamá, pelo contrário, sempre gostou muito e talvez até demais. Quando ele se sentia triste, ameaçado ou assustado ele corria pro mamá. Uma forma de conforto e consolo, talvez.
E eu ficava cada vez mais surpresa junto com as pessoas ao meu redor quando víamos que eu ainda produzia leite, a mirradinha Jessica deixando alguns de queixo caído, inclusive ela mesma.
Tive alguns problemas durante a amamentação, como algumas mulheres apresentam no bico dos seios, achei que meu peito fosse cair diversas vezes porque o bico ficava na carne viva, pendendo e ardendo muito a cada mamada mas eu permaneci firme e forte até os dois anos do Lucca.
A partir daí comecei a ficar muito irritada.

Enquanto muitas mães optam pelo desmame por sentir dor durante o processo de amamentar eu já queria desmamar simplesmente porque tanto o Lucca quanto eu não dormíamos bem há meses. Pra ser sincera desde que ele nasceu. Eu queria poder dormir pelo menos quatro horas seguidas sem que ele acordasse chorando e falando “mamá”.
Mas ainda assim continuei.
Foi quando as primeiras cáries surgiram na boca dele, foi quando ele já não queria comer os alimentos comuns do almoço (arroz, feijão, carne, frango) e quando ele começou a ficar mais manhoso que definitivamente precisava desmamá-lo.

Eu não aguento mais amamentar

Na consulta com o pediatra informei tudo o que estava acontecendo e já estava mais que na hora de o Luquinha largar o peito. Através de um kit desmame o médico me instruiu a seguir o método porque era batata, além de não ser traumatizante pra nenhum dos dois ele facilmente largaria o peito.
A questão que ficou foi: como eu procederia com o kit desmame? Era, e continua sendo, impossível por diversos motivos. Isso significa que eu continuo, até hoje, nas tentativas de tirar o mamá do meu filho. E te digo mais: se você achava que o puerpério era tempos difíceis, minha colega, nada se compara com o desmame.
Eita negócio do cão!

Sério, eu queria mesmo ter visto mais sobre as desvantagens da amamentação porque até hoje eu não consigo encontrar relatos de crianças que não almoçam, não jantam por conta do mamá; queria ter encontrado relatos sobre o apego que a criança tem com o mamá e a criação de vínculo ser tão forte que pode traumatizar seu filho; sobre as cáries rompantes (famosas cáries de mamadeiras) que surgem também com o leite materno.
Você sabia disso?

Desvantagens da amamentação

Cáries rampantes

Os primeiros indícios de que eu deveria parar com a amamentação foram as cáries rompantes ou famosas cáries de mamadeira. Engana-se quem acredita que as cáries de mamadeira só surgem em crianças que tomam leite em mamadeira. O leite materno também causa cáries, misericórdia. Por isso hoje eu aconselho as mamães de bebês pequenos a procurarem odontopediatras para não apenas orientarem na escovação mas a conhecerem a dentição do seu pequeno.
Apenas hoje, com dois anos e seis meses, foi diagnosticado falta de minerais nos dentes do meu filho, o que facilita o surgimento de cáries em quaisquer dentes.
Como eu ia saber de uma coisa dessas???
Durante muitos meses, enquanto fazíamos os tratamentos dentários, eu me senti culpada por não ter mais cuidado com o Lucca, de querer desmamá-lo e não conseguir, me martirizava todas as noites, principalmente, após a últimma escovação.
E quando eu soube que, além do mamá, ele também tem falta de mineirais nos dentinhos, pude respirar mais aliviada quando a dentista informou que eu não sou culpada.
Menos mal, né? Porque eu já vivo tantos julgamentos maternos que mais um talvez eu não fosse suportar.

Esse ano surgiram mais cáries nos dentinhos dele e estamos em processo de restaurações e cuidados com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. A FAODO – Faculdade Odontológica – tem alunos aptos a “treinarem” seus estudos na população e o Lucca está lá como cobaia, rs.
#rindopraquebraroclimmatenso

E essa péssima alimentação?

Assim que introduzi os alimentos sólidos na vida do Lucca tive bons resultados. Ele comia todas as frutas mas parecia gostar de algumas mais que outras; comia as papinhas com vontade e até quando o arroz e feijão foram apresentados ele se adaptou.
Mas, não sei te dizer o momento certo, tudo isso desandou e ele reprovou todo alimento sólido que compunha almoço e janta. Ou seja, arroz, feijão, frango, carne, legumes e verduras no geral, ele não aceitava nada.
Entrei em desespero.
Mesmo com alguns alimentos escolhidos a dedo, como o ovo mexido e o milho cozido, como é que uma criança vive só com esses dois pratos, Jesus do céu?
Desesperei, claro!
Com o tempo ele foi aceitando e recusando novos pratos mas minha preocupação sempre foi com a alimentação no almoço, que hoje se limita a pouco mais que ovo mexido e milho cozido.
Apresentando minha queixa e preocupação para o pediatra foi constatado que a amamentação chegou na fase de atrapalhar ao invés de ajudar. A pergunta que eu deixo é: em que momento a gente sabe que a amamentação é prejudicial, se o tempo todo vemos o quanto ela é incrível?

A naninha é o peito

Há crianças que escolhem naninhas para se sentirem protegidas; outras preferem o ursinho de pelúcia, a chupeta ou até mesmo o colarinho da camiseta. O Lucca preferiu o peito.
Toda vez que ele se sente ameaçado, irritado, nervoso, com medo, enfim, em uma situação que foge do seu mundo seguro, ele vem pedir mamá. Algumas vezes, se eu nego, ele entra em crise. Literalmente crise. Chora, esperneia, berra, grita, fica vermelho como pimentão e às vezes bate em mim.
Eu tenho medo do que essa escolha esteja fazendo com ele mas mais medo eu tenho de tirar tudo abruptamente, justamente por ele ter escolhido o peito como fonte de segurança.
Entende o que eu quero dizer?
É complicado você desmoronar a rocha firme de uma criança simplesmente porque tem sido a única solução. Eu confesso que muitas vezes pensei em tomar uma injeção pra secar de vez o leite e, assim, ele ser mais “independente” mas pesquisei mais a fundo na Internet e eu posso acabar prejudicando o emocional dele.
Melhor não.

Eu não aguento mais amamentar

Você pode achar que este é um post pra amedrontar gestantes sobre a amamentação ou então desencorajá-las a optarem por ela. Quem sabe até um alívio para as mães que desde o começo deram fórmula para os seus pequenos e assim elas dizerem “eu bem que avisei”!
Mas não é nada disso.
Esse é apenas um desabafo sobre a minha experiência até agora com a amamentação. Primeiro porque eu ainda não encontrei mães que tenham tido os mesmos problemas que o meu; segundo que a gente precisa desromantizar a amamentação!
Como assim?
Parar de idolatrar o leite materno como se ele fosse o único meio de seu filho crescer lindo, feliz e saudável porque não é! E eu sou prova disso!
Não estou dizendo que o Lucca é doente, pelo contrário, talvez por causa do mamá ele ainda tenha um pouco de forças e saúde, vai saber. Mas ele não tem se alimentado adequadamente para uma criança de dois anos e meio e isso é muito preocupante.
Mais preocupamente porque eu ainda não consegui desmamá-lo, não completamente. Hoje ele pede muito mais mamá durante a manhã, enquanto dormimos. Quando saímos é raro ele pedir salvo esteja em uma das situações que já mencionei aqui. E aí fico pensando, será que haverá o momento em que ele simplesmente se desligará do mamá?
Espero que sim.
Quantas de nós, mães de primeira viagem, ficam tristes porque não conseguem passar dos três primeiros meses com a amamentação? Ou as mães que precisam desmamar seus filhos por motivos maiores mas ficam se sentindo bruxas, terríveis mães por estarem tomando essa decisão.
Acho que já deu, né?
Sim, a amamentação tem inúmeros benefícios e você encontra todos eles ao digitar no campo de pesquisa do Google. Mas seu filho não será melhor ou pior por conta disso, acredite.
Mas eu gostaria que tivessem me contado que poderia haver desvantagens caso o Lucca continuasse mamando depois dois dois anos, eu com certeza teria desmamado mais cedo – o mais cedo permitido.

Agora estamos aqui, em uma luta diária para torná-lo indepentende do mamá e eu sinto que não estou muito perto de conseguir esse bem feito. O jeito é continuar tentando, na batalha diária, e pedir que Deus me ajude nesse processo.
Porque, sério, na velocidade que caminhamos, só Deus na causa!

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5 Comentários

  • Responder Pat 26 de setembro de 2017 at 15:33

    Essa sou EU EU EU EU!!! Achei seu post pq dei um Google “eu não aguento mais amamentar” depois da cara brava do pai dele de ter cedido, mais uma vez, o bendito peito. SENHOOOOR!!! Como faz isso acabar sem traumas, pelo amor de Deus??? O meu já está pra completar dois anos e não larga esse peito por nada! Queria mandar a doida da doula que me instigou a dar livre demanda vir aqui na minha casa agora fazer ele desgrudar do meu peito! Hahahahahaha… dois anos que não durmo, dois anos que não sei que raios é sexo! É uma situação bem caótica! E aí a gente escreve todo esse desabafo e se sente mal agradecida por ter recebido esse dom tão maravilhoso de Deus. Uma guerra diária comigo mesma! Boa sorte pra nós.

  • Responder Ingrid Ximenes 7 de setembro de 2017 at 15:46

    Nossa, como seu relato me aliviou em não ser a única que passa pela mesma situação. Fico extremamente preocupada porque minha filha passa absolutamente o dia inteiro sem comer nada, absolutamente nada e me vejo desesperada e cansada. Pra piorar a situação meu marido acha “errado” eu querer tirar o peito dela e acaba incentivando minha filha a pedir o mamá, qualquer chorinho que ela dá ele já fala logo “dá peito pra ela”, sempre essa mesma frase, pro homem é fácil falar né, afinal dormem a noite toda, vão na rua, tomam banho, fazem necessidade no banheiro sem pressa, conseguem trabalhar, conseguem fazer qualquer coisa que a criança não vai chama-lo, tudo cai sobre as mães. Eu até não reclamo tanto mas só queria um pouco de independência pra mim, conseguir tomar um banho de uma hora, ir na rua sem pressa, coisas simples que fica cada vez mais dificil. Obrigada pelas palavras, por não me sentir sozinha. ??

  • Responder Bárbara Santana 12 de agosto de 2017 at 04:53

    Eu me vi em tudo que você disse incluise nas cáries.. que ja estou correndo atras de tratamento.. Nao sei o que fazer pra desmamar ja tentei mais sem exito;; nao durmo duas horas seguidas as noites… tem sido muito ruim..

  • Responder Taby 2 de agosto de 2017 at 07:01

    Menina eu me vi no seu post!! Com exceção que meu filho não teve cáries. Mas eu não aguentava mais amamentar e isso tava me acabando. Ele acordava até de hora em hora. Mas eu consegui desmamar em 6 meses. Sim tudo isso hahahaha a dica que eu dou pra você é ficar firme e estipular horários pras mamadas. Se quiser eu fiz relato em etapas sobre o que funcionou pra mim pode te ajudar. Sei que vai parecer que tô só fazendo propaganda do meu blog mas nem é. Passei pelo sufoco que você passa, desmamar é muito mais difícil que começar a amamentar.

  • Responder Camilla Kleemann 2 de agosto de 2017 at 00:26

    Nossa, que triste. Tomara que você consiga desmamar ele da forma mais tranquila possível. É uma pena as pessoas não informarem os prós e contras como você está fazendo. Afinal, tudo que é demais costuma fazer mal e todo mundo só fala que quanto mais leite materno melhor… Parabéns pela iniciativa!

    Beijinhos <3 Blog Tanamoda / CK Designs / Grupo MBB / Rede Natura

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