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Resenha | Boneco de pano :: Daniel Cole

7 de junho de 2017

Quando o lançamento é suspense – seja ele psicológico, policial, investigativo, terror – eu confiro imediatamente a sinopse. E é bem difícil eu não me interessar, já coloco na minha lista de leitura e fico aguardando o momento para ler a trama.
Boneco de pano foi lançado em Abril da editora Arqueiro mas só consegui lê-lo em maio. Esse foi o tipo de história que a gente perde a noção da vida, dos afazeres e renuncia as outras funções – dormir, por exemplo – para poder descobrir a trama toda.
Nem acreditei que eu, literalmente, fiz isso.
Neste post você confere a resenha de mais um grande livro policial que impactou meu sistema frágil nervoso.

Boneco de Pano (Ragdoll)
Autor: Daniel Cole
Ano: 2017
Páginas: 336
Editora: Arqueiro
Amazon Fnac Livraria Cultura Saraiva
O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.
Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.
Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.
Com protagonistas imperfeitos, carismáticos e únicos, aliados a um ritmo veloz e uma deliciosa pitada de humor negro, Boneco de pano é o que há de mais promissor na literatura policial contemporânea.

Créditos: Arqueiro

Eu tenho certeza que você já leu pelo menos um livro que suga toda a tua atenção e te incita a ficar com ele em mãos 24 horas por dia. Não é verdade?
Boneco de pano é um desses livros.
Meu Deus, arrepio só de lembrar da experiência que tive!

William Oliver Layton-Fawkes, também conhecido como Wolf (Lobo) é um detetive casca grossa que sofreu um impacto negativo muito forte, tanto psicologicamente quanto profissionalmente, por causa da decisão do júri sobre o caso de Naguib Khalid. O Cremador, tal como o réu fora apelidado pela imprensa, cidadão britânico de origem paquistanesa, muçulmano sunita, revelara-se o mais prolífico serial killer de toda a historia Londrina: 27 vítimas em 27 dias, todas elas prostitutas entre 14 e 16 anos, violência suficiente para despertar as massas para a dura realidade até então ignorada das suas esquinas. Todas as moças haviam sido profundamente sedadas antes de serem queimadas vivas, e a maioria fora encontrada ainda em chamas, o fogo destruindo tudo o que pudesse servir de pista para a polícia. A Polícia Metropolitana fora duramente criticada por sua inércia ao longo da chacina de tantas almas inocentes, mas dezoito dias após a última morte, Wolf havia encontrado e prendido o homem.
E, no último dia de julgamento, ouvir da boca do júri que não haviam provas suficientes para condenar aquele homem, foi muito mais difícil para Wolf do que qualquer um poderia imaginar.

Anos depois Wolf entra novamente em cena à pedido de seu supervisor, Simmons, para investigar o caso ocorrido em frente ao seu prédio.
Um cadáver só, mas… seis vítimas.
Apesar de toda a equipe não ter encontrado qualquer gota de sangue no apartamento, confirmaram que as partes saíram de seis corpos diferentes e foram amputadas de modo grosseiro. Algumas partes eram difíceis de serem identificadas – de homem? de mulher? jovem? idoso? – e o trabalho da polícia só estava começando.
O que você não esperava era que a cabeça do corpo é de, ninguém mais ninguém menos, que Naguib Khalid.

Boneco de pano Daniel Cole

Revelando esse fato tão crucial (ou seja, de que a cabeça do corpo com membros de diferentes pessoas, é de Naguib) parece até que soltei um baita spoiler, não é mesmo?
Mas não soltei, mesmo.
Na verdade eu disse o que disse justamente pra te deixar mais impactado(a) e ficar ansioso(a) por continuar essa resenha e, quem sabe, até mesmo adquirir esse livro!

Wolf, então, precisa desvendar esse mistério não apenas para fazer jus aos mortos mas para descobrir quem são as próximas vítimas. Sua ex-mulher, repórter do jornal local e aspirante à ancôra, recebe um envelope contendo o nome e a data em que essas próximas vítimas vão sucumbir.

Agora, com uma equipe um tanto diferente, ele terá que lutar e correr contra o tempo para, acima de tudo, manter-se seguro porque o seu próprio nome está na lista.

Boneco de pano Daniel Cole

CA-RA-CAS!
Como disse anteriormente, li esse livro em maio mas equanto escrevo a resenha eu consigo lembrar vividamente da euforia que senti por devorar página por página.
Boneco de pano é livro de estreia de Daniel Cole na literatura e, pelo amor de Deus, o cara mandou super bem!
É o tipo de leitura que faz você deixar o rolê, o sono e até a Netflix de lado só pra acompanhar o andamento das investigações e se, de fato, Wolf e toda a equipe conseguirão manter as próximas vítimas a salvo.

Narrado em terceira pessoa, é a primeira vez que senti uma amigável concordância com essa perspectiva. Geralmente eu prefiro a narrativa em primeira pessoa, principalmente em suspenses. Mas Daniel conseguiu liberar os fatos e acontecimentos a conta gotas, não dando spoilers antes da hora.

Sobre os personagens, não tenho do que reclamar, mesmo com a personalidade e implicância de Wolf, nosso anti-herói nessa trama surpreendente. Depois de toda a confusão no julgamento de Naguid, Wolf foi incitado a fazer tratamento psicológico então dá pra imaginar como está o nervo do cara ao se deparar com toda essa teia de mistério. E, lá no fundo, eu entendi e aceitei o comportamento patético do personagem em diversos momentos.

O que eu mais gostei foi a possibilidade de eu culpar diversas pessoas durante a leitura acreditando ora que fulano era o verdadeiro culpado e ora siclano.
Sabe como eu me senti durante toda a história?
Como a naja quando está dentro do cesto e o encantador de serpentes começa o ritual. Daniel me conduziu e fez com que eu acreditasse em quem ele pré-determinou, na hora em que ele bem quis.
Nossa, falando assim, me senti facinha-facinha!

Boneco de pano Daniel Cole

Mas devo mencionar que houve uma característica que eu não gostei: o final da história. E sobre isso não posso entrar em discussão porque, senão, aí sim eu estaria estragando todo o divertimento e prazer que a leitura traz aos fãs de bom suspense.
Apesar desse detalhe, o desenrolar da história é simplesmente perfeito. Impossível você conseguir segurar as páginas por muito tempo!
Durante a fase de leitura eu acordava doida pra compartilhar com alguém a história e fiz isso com um dos meus irmãos. Ele afirmou que, ouvindo eu contá-la, parecia que eu estava contando um roteiro de filme. O que ele não sabe é que Boneco de pano foi escrito originalmente como piloto para uma série de TV e talvez isso faça mais sentido.

Boneco de pano Daniel Cole

Não gosto de me precipitar mas ouso afirmar que esse é um dos melhores livros de suspense policial que li em 2017. Incrível, prende sua atenção do começo ao fim e tudo o que você quer é desvendar as pistas encontradas ao longo da trama antes de Wolf, talvez só pra mostrar que você pode ser tão bom detetive quanto um profissional.
Se você é fã de suspense então não pode continuar vivendo sua vida literária sem experimentar essa história!

Daniel Cole

Aos 33 anos, Daniel Cole já trabalhou como paramédico, foi oficial da Real Sociedade Protetora dos Animais e membro da Guarda Costeira Real, sempre imbuído do desejo de salvar pessoas – ou talvez movido pela culpa de ter matado tantos personagens em seus textos. Boneco de pano é seu primeiro livro, escrito originalmente como piloto para uma série de TV, e, nos primeiros dias após o lançamento no Reino Unido e na Holanda, já foi direto para as principais listas de mais vendidos. Ele vive em Bournemouth, na Inglaterra.

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1 Comentário

  • Responder Dai Castro 12 de junho de 2017 at 21:48

    Eu venho lendo bastante suspense policial nos últimos anos e muitos deles deixaram a desejar, simplesmente por não conseguir me conectar aos envolvidos na trama sabe? Mas, depois dessa resenha super empolgada já coloquei Boneco de Pano na minha listinha de leitura! haha
    Beijos
    Colorindo Nuvens

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