A árvore do pensamento | Mãegnífica
Crônicas

A árvore do pensamento

27 de novembro de 2017

Pensar demais causa ânsias na alma, uma vontade de vomitar tudo que está entalado dentro de nós. Vontade de pensar no todo com uma compaixão que não nos cabe no coração. Preciso me desligar.

Vou à nuvem mais alta do céu e percebo que elas se movimentam com perspicácia e leveza. Uma suavidade na forma de ser e coexistir naquela imensidão anil. Está escurecendo e parece que vai chover. Ouço os trovões ao longe. Não sinto medo, é como se estivesse em outra dimensão, observando aquele evento da natureza. As nuvens, agora turvas, balançavam aos assovios do temporal que se aproximava. Ele nos chamava pra dança.
Havia um medo sob meus olhos. Deito-me.

Minha gatinha vem me acariciar com seu fucinho gelado e sinto o cobertor da minha cama me envolvendo enquanto a aurora despontava no horizonte. A tempestade passara e agora podia me ver mais claramente. As árvores estavam florindo, o verão se aproximava e um recomeço era previsto nas cartas. Tarô, superstição que vem de dentro para o mundo. Cartas minhas para amores e desamores. Continuo a enviar, a me entregar. Não sei ser diferente e não serei. Preservo e lapido minha essência.

Deito à sombra e folhas caem sobre mim. Essa calmaria me conforta, entro em transe, Yolanda também dorme, em meu pescoço. Sinto o calor de seu corpinho minúsculo e a vida presente em todo universo em um só momento. Epifania, sou. É.

Apaixonar-se
Flutuo
 

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